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09
Dez24

Mrs. Caliban de Rachel Ingalls

Cláudia F.

Então não é que Mrs. Caliban se transformou em favorito, assim, como quem não quer a coisa? Talvez o surrealismo literário não seja, afinal, tão problemático quanto eu julguei. Acho que o que não aprecio não é tanto o irrealismo ou a fantasia, mas sim a escrita que torna impossível ao leitor distinguir o que é factual (dentro da história) e o que é ilusão, sonho, imaginação. Confusa, eu? Sim. Portanto, ler este tipo de obras pode ou não ser uma boa escolha e neste caso correu muy bem.

Publicado em 1982, retrata a vida de uma mulher, doméstica e deprimida, que reencontra o sentido da vida ao acolher um ser híbrido (tipo homem-aquático-lagarto), após este escapar de uma existência de torturas e experiências laboratoriais. Relações infelizes, traições, amargura, injustiça, discriminação, intolerância, aprendizagem, aceitação, são alguns conceitos e ideias que estão presentes nesta história e que a tornam completamente relevante e intemporal. Não é sem razão que esta obra é considerada uma obra-prima dentro do género.

Até certo momento questionei se Dorothy estaria a alucinar, uma extensão do trauma pelo luto recente, e se Larry efectivamente existiria ou seria apenas um escape da sua mente perturbada pela infelicidade extrema. Esta dúvida fez-me ter ainda mais interesse em Dorothy, na evolução da sua personagem e do seu psicológico. Apenas quando Larry interage com outras personagens abandonei a ideia da loucura, sem perder o foco no desenrolar da relação entre os dois. A intensidade vai aumentando conforme vamos avançando na leitura, o tom de tragédia que se avizinha e a atmosfera quase claustrofóbica que envolve Larry - em liberdade sem ser livre - e Dorothy - condicionada e alienada - contribuem para virar página após página, cada vez com mais rapidez, para chegar à conclusão desta aventura bonita e profundamente triste.

Uma novela bastante cinematográfica. Lembrei-me muitas vezes de Eduardo Mãos de Tesoura. As acções rápidas, os ambientes repetitivos e sem grandes descrições, poucas personagens e bem caracterizadas. A leitura desenrolou-se dentro da minha cabeça como se estivesse a ver um filme e estava bastante entusiasmada, julgando que de certeza existiria já alguma adaptação. Acontece que não e nem sequer se atrevam a sugerir que este é parecido, dá-me já um ataque (está na minha lista dos piores filmes de sempre). Imaginei Larry igual ao Monstro da Lagoa Negra. Não há ser meio-lagarto-meio-peixe mais icónico que ele:

Continuo a ficar maravilhada com esta capacidade, que alguns escritores têm, de criar algo complexo numa dimensão tão curta (são 128 páginas). Um livro pequenino mas grandioso que, em aparente simplicidade, se solidifica e cria uma trama astuta sobre relações e comportamentos. Rachel Ingalls escreveu várias novelas que não se encontram traduzidas e publicadas em Portugal, sendo Mrs. Caliban a única excepção.

Episódio do programa As Palavras do Mundo da RTP sobre Mrs. Caliban e artigo porreiro aqui.

 

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