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Mai24

A Balada de Iza de Magda Szabó

Cláudia F.

Foi a minha terceira experiência com Magda Szabó. Gostei muito de A Porta e quando encontrei na feira do livro no ano passado, como livro do dia, Rua Katalin, decidi comprar. Infelizmente não estava a ser uma leitura agradável, pelo que o abandonei e ofereci à biblioteca. A Balada de Iza foi uma escolha do clube de leitura da biblioteca, cuja temática este ano é o idadismo e a forma como a sociedade trata as pessoas de idade avançada. Sendo o motivo pelo que tenho lido (ou abandonado) vários livros cujas histórias abordam este conceito. Apesar de existir um assunto ou tema definido pela biblioteca, somos nós, leitores e membros, que sugerimos as obras a ler. A sugestão que dei foi Jezabel de Irène Némirovsky  que li no passado e se tornou um favorito (tenho uma paixãozita literária pela Irène).

Os livros de Magda que li anteriormente não foram lineares e por estar um pouco saturada da temática, iniciei-o a medo. Acabou por correr bem apesar de não o achar desafiante ou surpreendente. 

Procurei um pouco mais sobre a história do país e noto uma caracterização mais pormenorizada dos tempos anteriores e posteriores à ocupação nazi, através do despedimento do pai de Iza e na forma como esta cresce e se envolve activamente na vida política, mesmo que isto lhe custe o casamento, além dos tempos de estudante do ex-marido de Iza. O leitor ganhava em existir, neste livro, um pequeno texto no início ou no final, contextualizando certas datas e acontecimentos. Para quem se limitar a ler sem procurar informação histórica, perderá uma boa base de entendimento não só da acção mas também da construção das personagens.

"When the time frame shifts to Antal’s childhood, we learn that he is the child of a laborer who died in a brutal work accident, upon which the boy received a scholarship to attend primary school—and book money from Iza’s father, a left-leaning judge who was forcibly retired during the right-wing 1920s. Antal learns of his benefactor’s political disgrace in 1933, meets and falls in love with Iza in 1941, and marries her in 1948."

Iza representa a modernidade, o acesso ao conhecimento, o activismo político, o desapego pelo tradicional. A mãe é o seu oposto. Cada lado terá os seus aspectos positivos e negativos, a raiz do problema é a dificuldade em equilibrar as duas realidades no mesmo momento, com igual importância, quando uma delas está fragilizada e outra está no seu auge.

O que me mais me agradou foi deixar margem para diferentes interpretações e empatias. Penso que algumas pessoas se identificarão mais facilmente com a idosa, outras com a filha, outras ainda com o genro. Outras haverá que simpatizam com mais do que uma personagem. E isto é qualquer coisa de bom. Interessa-me quando os livros não são preto ou branco, moralistas, criando espaço para demonstrar a complexidade da realidade explorada. Não fiquei particularmente agradada com o final que a escritora escolheu, ou melhor, não gostei da execução, que me pareceu uma trapalhada. Magda fartou-se e desistiu. Foi fazer qualquer coisa melhor. Uma pena.

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