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24
Fev25

E filmes?

Cláudia F.

A Semente do Figo Sagrado de Mohammad Rasoulof que é uma brutalidade de perder o fôlego e em simultâneo nos deixar com aquele sorriso parvinho no rosto, do tipo "caraças, isto é muito bom". Cinema a sério.

“Submission is unquestioning obedience,” he says. “The profound love celebrated in Iranian literature, often romanticised, is another form of surrender. This submission extends into our politics. What does Iran’s Supreme Leader ultimately demand from us? Unquestioning obedience. Complete allegiance.”

Não sei se Pequenas Coisas Como Estas funcionará tão bem para um publico que desconheça o livro de Claire Keegan. Os pormenores e as subtilezas que o olhar do leitor procura e encontra podem escapar aos menos familiarizados com a atmosfera típica da sua obra. O filme funciona como um complemento lindíssimo ao livro (que não é o meu favorito da escritora) e é uma óptima desculpa para ver mais uma vez Cillian Murphy e Emily Watson a serem os actores espectaculares a que já nos habituaram.

17
Fev25

Os Nossos Irmãos Feridos de Joseph Andras

Cláudia F.

Fernand Iveton foi um comunista argelino, filho de mãe espanhola e pai francês, que lutou pela independência da Argélia contra a ocupação colonial francesa e foi condenado à pena de morte, sendo assassinado em Fevereiro de 1957. É a história de Iveton, da relação com Hélène e da sua prisão que acompanhamos no livro de Joseph Andras.

No fim da Segunda Guerra Mundial existia nas sociedades colonizadas a esperança da independência e da retirada dos países ocupantes. Esta esperança era comum a todas as colónias de países europeus que haviam lutado contra o nazismo e deram origem a vários processos, mais ou menos violentos, de independência. A Argélia foi um desses países e o conflito um dos mais intelectualmente discutidos. A França, como força colonizadora, recusou a autonomia argelina, comprometendo os valores defendidos anos antes ao lutar contra a ocupação nazi. O pouco tempo passado entre a libertação da França (e da Europa) dos fascistas e a guerra contra a libertação dos países colonizados colocava à vista de todos a enorme contradição em que se encontravam as forças políticas governantes. Defendiam e iam contra os mais básicos princípios de autonomia e liberdade (e parece que não houve qualquer evolução, não é? Ainda nos debatemos com a mesma ausência de escrúpulos). Fruto desta incoerência, crescem idealistas como Fernand e outros resistentes, não só em solo ocupado mas também na própria França.

Fernand junta-se ao partido comunista argelino (PCA) aos 16 anos. Posteriormente alinha-se com a FNL e leva a cabo a acção pela qual é preso: colocar uma bomba na fábrica onde trabalhava. Colocar bombas é mau? É. Neste caso, era uma forma de luta e Fernand programou estrategicamente o local para a bomba e a hora da detonação de forma a que não atingisse qualquer trabalhador, antes afectasse a maquinaria e assim contribuísse para desequilibrar o sector económico. A bomba nem sequer explodiu. Fernand foi preso, torturado, julgado e assassinado para dar o exemplo, para denegrir a imagem dos combatentes da resistência e principalmente por ser considerado um traidor da pátria, um francês a lutar contra o seu povo.

Dificilmente não seria uma leitura satisfatória. Gostei particularmente da forma extremamente humana como Andras retrata Fernand, um homem sonhador e inteligente, fiel aos valores mais universais e também como, na época, as famílias dos resistentes acompanhavam as suas prisões e experimentavam a angustia da impotência perante uma condenação grotesca, violentíssima, às mãos do Estado.

A primeira leitura de 2025 não podia ter corrido melhor. Os Nossos Irmãos Feridos é um favorito que aconselho a todos. Talvez represente uma realidade que julgávamos ultrapassada e que, pela nossa própria inacção e ignorância, me parece cada vez mais próxima. Entenda-se: a da opressão e repressão.

O livro serviu de inspiração ao filme De Nos Frères Blessés, de 2020, que não tive ainda a oportunidade de ver. Artigo sobre esta adaptação aqui.

 

15
Fev25

Os do Ano Passado

Cláudia F.

Sei que estas publicações são por norma feitas em Janeiro, mas eu nunca estou encaixada no ritmo da maioria: apresento (a quem? não importa) a lista das minhas leituras favoritas do ano 2024. Li cerca de 57 livros e escrevi a minha opinião sobre todos eles neste blog - salvo erro, posso ter falhado um ou outro. Utilizo o goodreads, onde todos os anos estabeleço uma meta de leitura que por norma ultrapasso (com excepção do ano em que fui mãe e li 2 livros). Gosto da sensação de ainda ler algumas obras após atingir o objectivo a que me propus. Eu, que não faço desporto, sinto-me como os atletas se devem sentir depois de passar a meta e ainda terem capacidade fisica para correr mais um bocadinho. Foi um ano de várias leituras medianas, umas quantas mázinhas e outras que nem me dei ao trabalho de concluir, abandonando, e 19 livros maravilhosos que têm um lugar especial na estante (os que não foram lidos através da biblioteca) e no coração.

  1. Os Mutilados - Hermann Ungar
  2. Acolher - Claire Keegan
  3. Um Homem Em Declínio - Osamu Dazai
  4. A Partir de Uma História Verdadeira - Delphine de Vigan
  5. Um Amor - Sara Mesa
  6. Puro - Nara Vidal
  7. A Solidão dos Números Primos - Paolo Giordano
  8. O Lado Negro da Mente: Histórias Reais da minha Vida como Psicóloga Forense - Kerry Daynes
  9. Vista Chinesa - Tatiana Salem Levy
  10. Roma, Temos Um Problema - João Francisco Gomes
  11. Desaparecer na Escuridão - Michelle McNamara
  12. Out - Uma Saída - Natsuo Kirino
  13. A Uma Hora Tão Tardia - Claire Keegan
  14. Mrs. Caliban - Rachel Ingalls
  15. O Quinto Filho - Doris Lessing
  16. Um Artista No Mundo Transitório - Kazuo Ishiguro
  17. Mrs. March - Virginia Feito
  18. Gente Comum: Uma História da PIDE - Aurora Rodrigues
  19. A Idade Frágil - Donatella di Pietrantonio

Parece-me uma boa colheita! Vamos ver como corre este ano, se julgar pelas leituras de Janeiro vou bem lançada.

12
Fev25

A Idade Frágil de Donatella Di Pietrantonio

Cláudia F.

Algumas leituras parecem, de alguma forma e sabe-se lá porquê, estar predestinadas a beirar a perfeição. Já me tinha cruzado com A Idade Frágil, provavelmente quando pesquisava por pré-lançamentos interessantes. Daí que quando o vi numa livraria, mesmo ali uns dias antes do natal, decidi que era um bom acrescento aos outros livros que havia comprado para oferecer a mim própria, e acabou mesmo por ser o segundo da pilha a ser lido ainda em Dezembro.

Começo já por me repetir mas isto tira-me do sério: parem de comparar escritores nas capas dos livros. É um pesadelo que parece não ter fim. Induz as pessoas em erro, cria expectativas que não deviam existir em torno da escrita, da história e das personagens, condiciona os leitores a procurar ecos e semelhanças, neste caso da Ferrante, num livro que não tem qualquer marca da escritora, além de limitar a Pietrantonio, como se a sua obra não valesse por si só, precisando de uma muleta literária para vender. E não precisa, é um bom livro. Obviamente que em momento algum no decorrer da leitura senti qualquer proximidade com as obras da Ferrante (que adoro) compreendendo, por isso, quem vai à procura dela nestas páginas e se sente defraudado.

Ultrapassando esta questão, A Idade Frágil tornou-se o último favorito de 2024. O ser baseado num crime real que ocorreu em Abruzzo, cidade onde a escritora cresceu, foi meio caminho para me manter muito curiosa. Tentei vasculhar e procurar mais informações complementares do crime de 1997 mas só me cruzei com artigos em italiano, língua que não domino, por isso não sei onde termina a ficção e começa o realismo no relato do homicídio das duas jovens e na fuga da rapariga que sobreviveu. No livro, Lúcia foi uma grande amiga da sobrevivente enquanto criança e adolescente, pelo que testemunhou a atmosfera em torno do desaparecimento e desenrolar da investigação. Anos mais tarde, adulta e mãe, é confrontada com paralelismos e ecos de um mundo ainda tão agressivo contra as mulheres, através da sua filha Amanda. A acção no presente decorre no pico da pandemia, Amanda desiste da universidade em Milão e retorna a casa, na aldeia. Volta uma jovem diferente, fechada e deprimida. A escolha de manter o leitor em dúvida sobre a violência exercida contra Amanda e nunca desvendar o que de facto ocorreu, evitando a exploração gratuita do acto, foi uma decisão inteligente, visto que já estamos a acompanhar o crime ocorrido no passado pelos olhos de Lúcia. A escritora conseguiu estabelecer um bom ritmo e uma caracterização suficientemente realista para me fazer sentir que as personagens existiam, tal como a história ali relatada. Gostei da forma como os silêncios se transformam em diálogos e as ausências (de pessoas, de emoções) ocupam espaço na narrativa. A escrita é directa e simples, numa história que não sendo de uma complexidade enorme, trabalha temas que me agradam como a questão do medo, da violência de género, da relação mãe-filha. 

Dispensava a questão em torno da venda do terreno e da filha que se revela activista, mas enfim, não se pode ter tudo. É uma obra-prima? Não o diria. Mas li em duas tardes, completamente concentrada e envolvida na história que Donatella me apresentou e isso é imensamente satisfatório. Irei ler outras obras da escritora no futuro.

02
Fev25

A Baleia de Paul Gadenne

Cláudia F.

No natal presenteei-me com livros da Antígona, aproveitando uma baixa de preços que a editora aplicou umas semanas antes. Não é que seja uma novidade oferecer-me livros nessa época, nunca tinha era ocorrido serem todos da mesma editora. O livro A Baleia foi o primeiro a ser lido e não podia ter corrido melhor.

Nas cerca de 40 páginas acompanhamos Pierre e Odile numa caminhada, um passeio até à praia para verem a carcaça de uma beleia branca que deu à costa e ficou a decompor-se na areia. Perturbador? Fascinante? Profético? Que significado retiram as duas personagens da morte daquele gigante dos mares? É uma bonita e dura reflexão sobre a morte, o ciclo que se fecha, ao qual nenhum ser escapa. Foi uma leitura muito satisfatória. 

Entretanto, ao procurar mais informações sobre o escritor (que faleceu aos 49 anos vítima de tuberculose, tendo passado os últimos anos em sanatórios e quartos alugados, de onde aliás terá escrito grande parte da sua obra) cruzei-me com uma curta baseada neste seu texto. Enquanto lia pensava que daria um belo filme, o ambiente em que as personagens se movem é bastante cinematografico e é uma pena que a curta não esteja disponível, mas a julgar pelas fotografias creio ter sido uma adaptação bem feita. Aguardo com esperança que talvez vá parar ao youtube, um dia.

Pequenos livros, grandes histórias.

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