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20
Jun24

E séries?

Cláudia F.

Oz é uma das minhas séries preferidas de sempre. Tirando uma temporada meio experimental (que ainda assim não prejudica o todo) é uma obra-prima. Tem seis temporadas e está disponível na hbo max. O enredo gira em torno de uma prisão que tem uma ala-projecto, Emerald City, em que o responsável tenta implementar medidas mais humanas e empáticas no dia-a-dia dos presos, maioritariamente condenados por crimes violentos relacionados com gangs, drogas, alcoolismo, abuso sexual. Oz pertence aquela época em que uma série nos fazia reflectir fortemente sobre a sociedade em que nos inserimos, a complexidade moral sobre como lidar com o crime e a penalização, o debate sobre a origem do mal e as medidas de reabilitação, o meio como molde para a existência humana...Enfim, o que não falta são possíveis reflexões conforme vamos avançando nos episódios e as histórias das personagens se vão solidificando. Não há heróis e vilões, tão pouco serve como aconchego depois de um dia de trabalho. É desconforto e crueza mas em bom.

Ando a ver outra série, disponível aqui, que me recorda Oz e SOA. A acção não decorre dentro de uma prisão, mas a prisão em Kingstown é parte fulcral da narrativa; existe toda a questão de gangs, criminosos violentos, e de como os órgãos de poder controlam, minimizam ou maximizam os seus actos, mediante os seus próprios interesses. É o clássico jogo de poder entre políticos e a rua. Está muito bem estruturada. São três temporadas, até agora, que me têm satisfeito a ausência deixada por outras grandes séries (menos filosofia e mais explosões, não se pode ter tudo não é?). O centro de poder é o presidente da câmara lá do sítio, Mike McLusky, que é também ex-condenado e um homem com amizades curiosas. O actor Jeremy Renner é um homem cheio de classe, gostei muito do trabalho dele em Wind River e em Arrival (um favorito). 

Podendo e querendo: vejam Oz. E depois vejam Mayor of Kingstown.

18
Jun24

Puro de Nara Vidal

Cláudia F.

Ainda aqui não falei sobre o Clube da Greta Livraria, que subscrevi no ano passado (por volta desta altura). Escolhi o plano 1 com curadoria e tirando um livro que não gostei (mas não abandonei, vitória!) foi um programa bem sucedido. Ainda estou a ponderar se subscrevo novamente ou não - qualquer gasto extra na vida de uma proletária tem de ser seriamente analisado. Não conheço o espaço físico da livraria mas acredito que deve ser uma maravilha. Pelo menos a oferta é um chamariz de alegria para os meus olhos sempre que navego pelo site.

E menciono a Greta porque este Puro de Nara Vidal foi um dos últimos que recebi através do Clube e também se tornou um livro favorito.

Sobre o livro, o que escrever? Tinha tudo para ser uma leitura muito atractiva para mim e assim foi. São temas que me interessam, bem explorados e a escrita é envolvente, acessível, directa. Vou repetir-me: é mesmo fascinante ler livros pequenos que encerram tanto em si. Este é mais um desses malditos que me fazem olhar para calhamaços e pensar "vale mesmo o esforço"? Porque os últimos livros extensos que li não tem justificado o número de páginas com a qualidade que espero lá encontrar.

"Embora Francis Galton, primo de Charles Darwin, só viesse a publicar em 1869 o seu Hereditary Genius e apenas em 1883 cunharia o termo eugenia para as práticas de seleção artificial de grupos humanos, a ideia de uma raça superior a sufocar as demais já permeava as discussões e o imaginário e ganhou, ao longo dos séculos 19 e 20, estatuto de proposição científica válida, até se tornar política pública racista e restritiva em países tão diversos como Alemanha e Brasil."

A eugenia é o conceito base desta história. Toda a dinâmica de vila de Santa Graça gira em torno da desigualdade entre dois pólos: os brancos, católicos, que vivem da sua intelectualidade, superiores e os negros/mestiços, que vivem do uso da força física, doentes e limitados à exploração ou esmolas dos primeiros. Partindo disto, vemos como harmoniosamente as personagens se movem na loucura da superioridade genética para todo um conjunto de práticas grotescas (e muito próximas da realidade). Os momentos de quase terror são bem estruturados e a atmosfera gótica vai-se estabelecendo aos poucos, ganhando dimensão conforme avançamos na leitura. Funciona perfeitamente.

Estou tentada a comprar o livro de contos da escritora apesar de contos não serem uma preferência.

Artigo interessante da escritora aqui e outro aqui.

11
Jun24

Hotel Melancólico de María Gainza

Cláudia F.

Andei muito distraída pois não só nunca me tinha deparado com este livro como não me recordo de me ter cruzado com alguma referência à sua autora, María Gainza. Encontrei-o numa busca pelas estantes da biblioteca com o objectivo de levar para casa um ou dois livros curtos, de leitura rápida.

Foi uma leitura bem satisfatória. Não esperava nada, pois tão pouco sabia alguma coisa, fosse sobre o livro ou sobre a escritora. É das melhores coisas que me pode acontecer: ir ao acaso e daí extrair uma boa leitura.

Se eu percebo alguma coisa de Arte? Nem por isso. Há portanto q.b. probabilidade de várias referências ao universo da pintura na América Latina (e no geral, vá) me terem passado ao lado. O que não me impediu de desfrutar da leitura e é isso que há de fantástico aqui. A escritora consegue, sem transformar a história em puro pedantismo ou cair no aborrecimento, cativar o leitor leigo e puxa-lo para dentro da história, sendo tão leve e fácil de compreender, que é irrelevante que bagagem detemos nós, leitores, sobre o meio que está a ser explorado. As reflexões bem construídas sobre o que é real, criação e originalidade, a dualidade das influências e inspirações na processo criativo e o espaço que a cópia ou o falso ocupam em tudo isto.

Tem momentos engraçados, um véu de mistério em torno d'A Negra e ainda por cima tudo isto num livro pequeno que se lê num instante. Cereja em cima do bolo.

Gostei muito de Hotel Melancólico e María Gainza é uma escritora a explorar.

11
Jun24

E filmes?

Cláudia F.

Estava com ele debaixo d'olho há uns tempos. É frequente encontrar o seu nome em lista de filmes dos quais gostei bastante e por isso as expectativas eram altas. Não correspondeu e nem os últimos trinta minutos finais conseguem diminuir o sacrilégio que foi assistir a isto. Há filmes que às vezes funcionam bem para um grupo muito restrito de apaixonados por cinema e que passam ao lado dos restantes comuns mortais. E eu, que navego entre estes dois grupos de pessoas-tipo, desta vez estou com os comuns mortais: não consigo perceber o há além de mediano aqui. São 2H30 de tédio.

Ainda que nos últimos anos tenha menos paciência para o género, foi com bastante satisfação que dei por mim a ver este filme. O desenrolar não é surpreendente mas não prejudica; a tensão e o desespero crescente, com umas pitadas de humor (que por norma não aprecio), suportam toda a história. É 1H30 bem passada.

07
Jun24

Missão concluída com sucesso

Cláudia F.

Tenho uma relação de amor-ódio com a FLL. Tento lá ir todos os anos e por norma só compro nos alfarrabistas e nas caixinhas promocionais da Relógio d'Água. De vez em quando encontro um livro do dia que me interessa e também vai lá parar a casa. Este ano, aproveitando estar de férias no início da Feira, dei-me ao trabalho de percorrer a lista dos livros do dia e ir duas vezes propositadamente para comprar os livros com descontos previamente escolhidos. Estive  cerca de 1h de cada vez e foi suficiente para atingir os meus limites de contacto com mares de gente (30 pessoas para mim já consagra uma multidão). Não gosto de pessoas, não gosto de calor, não gosto de andar por Lisboa carregada de turistas. Sim, sou uma espécie de ogre social. A missão "entrar, comprar e sair!" foi concluída com sucesso.

Livros comprados:

  1. Vista Chinesa de Tatiana Salem Levy
  2. Satânia de Judith Teixeira
  3. Estufa Com Ciclâmenes de Rebecca West
  4. O Vinho Da Solidão de Irène Némirovsky
  5. Desaparecer Na Escuridão de Michelle McNamara
  6. A Volta do Parafuso de Henry James
  7. Roma, Temos Um Problema de João Francisco Gomes
  8. A Limpeza Étnica da Palestina de Peppe
  9. O Lado Negro da Mente de Kerry Daynes
  10. "Tenho O Prazer De Informar O Senhor Director..." de Duncan Simpson

Se estes livros estão a passar à frente dos outros 70 e picos que tenho a apanhar pó na estante? Sim. Já li o Satânia, o da psicóloga forense Karry Daynes e estou agora com o Roma (sobre o historial de abuso sexual e pedofilia na Igreja).

As caixinhas da Relógio D'Água recebem todo o meu amor livreiro. Tem sempre livros lindos. A quem ainda não foi e está a planear ir: aproveitem os livros da minha paixãozita Irène Némirovsky, há uns três na RA; a quem gosta de true crime é meter os olhos no livro da Michelle McNamara também na RA (mesmo que já tenham visto a série da HBO, infinitos docs sobre este serial killer e mais uns quantos podcasts) e no da Kerry Daynes.

 O livro sobre a Palestina foi o único que não era livro do dia, estava na editora UnCommon Ground que tinha outros também sobre a causa palestiniana. Aos que quiserem aprender mais através dos livros é capaz de ser uma boa paragem (além de apoiarem o projecto).

 

05
Jun24

O Templo Doirado de Mishima

Cláudia F.

Dos vários livros que li de Mishima este foi o que menos me entusiasmou. A temática religiosa, a componente filosófica em torno dos símbolos de adoração e a arquitectura, fizeram-me sentir incapaz de compreender tudo o que Mishima procura transmitir. Sei muito pouco sobre Xintoísmo e Budismo. Não que a história seja incompreensível. Tudo o que acontece é devidamente explicado, não se perde o fio condutor nem nenhuma das acções do protagonista ou das personagens secundárias soam descabidas. Mas após a leitura, ao procurar algum contexto e opiniões, os pequenos apontamentos que li e interiorizei, mas que não destaquei como relevantes, ganharam importância ao recordar a evolução (ou declínio) de Mizoguchi. O meu fraco interesse acabou por diminuir a experiência.

Comparando com Confissões de Uma Máscara e O Marinheiro Que Perdeu as Graças do Mar, este Templo Doirado soube-me a pouco.

Artigo interessante aqui.

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